A descendência de
Carl Heinrich Brack & Barbara Reif


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Última alteração: 08 AGO 2003

Carl Heinrich Brack    * 30/05/1824   † 14/01/1896
casado em __/__/1851 com
Anna Barbara Reif  * __/__ /__  † 04/08/1916
tiveram 10 filhos

Carl Heinrich Brack era natural de Traben, uma das cidades-gêmeas Traben-Trarbach, nas margens do Rio Mosela, distrito de Koblenz, na Prússia Renana (Rhineland-Pfalz).

(Para a certidão de nascimento de Carl Heinrich, clique aquí.)

Teve, pelo menos, quatro irmãos: Carl Christoph (batizado na igreja evangélica de Traben, em 27/11/1813), Georg, Julius e Christian.   Era filho de Wilhelm Brack, nascido em 1787, e de Maria Elisabetha Deuer. Casou-se, em 1851, com Barbara Reif, natural de Zell (cerca de 10km de Traben, também nas margens do Mosele),   filha de Joseph Reif e de Juliana Kochem.

Os avós maternos de Carl Heinrich parecem ter sido Philipp Peter Deuer (filho de Philipp Daniel Deuer) e Maria Margaretha Zimmer (filha de Philipp Zimmer), casados, em 24/02/1789, na igreja evangélica.

Para a localização dessas cidades, veja mapa acompanhado de links e fotos recentes de Traben-Trarbach e de Zell.

Carl veio para o Brasil em 1854, a bordo do veleiro Hortence , trazendo a esposa e a filha Maria, com 2 anos de idade.  Ele era evangélico e Barbara, católica. Consta que entre as razões para a migração estava o preconceito existente, na  época,  contra o casamento misto.

Há indicações de que Carl teria sido soldado da Guarda do Kaiser. Era um homem alto, de porte bonito e muito alegre. Veio para trabalhar como pedreiro-construtor. Construiu sua moradia entre a Casa das Irmãs Franciscanas, junto à atual igreja da matriz (católica), e a Prefeitura de São Leopoldo.

Carl trabalhou em muitas das construções mais antigas de São Leopoldo. Possuía uma viçosa horta nos fundos de sua casa, da qual cuidava com o auxílio da esposa e dos filhos.

Barbara viajara grávida, dando à luz a Elisabetha já em águas brasileiras, nas costas do Rio Grande do Sul.   Barbara era uma mulher forte, de cabelos negros. Era muito séria e trabalhadora. Tiveram mais 8 filhos, nascidos nesta casa junto à Prefeitura.     Depois de viúva, Barbara passou a morar na casa em frente à Praça do Imigrante, com a filha solteira, Cecília.

 


UM   BREVE   HISTÓRICO   DA   CONJUNTURA
NA   ÉPOCA   DA   MIGRAÇÃO

 Brasil Império         Rhineland-Pfalz

A Alemanha ainda não havia sido unificada  (o que só viria ocorrer em 1871). Ao lado do Império Austro-Húngaro e da Prússia, existiam principados e ducados, como Hesse-Ducal, Baviera, Würtemberg, Baden, Turíngia, Saxônia, e ainda as cidades hanseáticas de Bremen, Hamburgo, Lübeck.

Tanto Carl quanto Barbara nasceram na Prússia Renana (Rhineland-Pfalz), assim chamada por ter grande trecho do Reno em seu território. O trono do Império Austro-Húngaro era ocupado por Francisco José desde 1848.

Em março daquele ano, agitações populares haviam forçado a adoção de reformas em Würtemberg, Hesse-Darmstad e Nassau. Em maio, foi inaugurado o Parlamento de Frankfurt, destinado a redigir uma Constituição para a Alemanha, mas esbarrou em divergências entre republicanos e monarquistas e veio a dispersar-se sem ter apresentado resultados.

A Prússia, que havia dominado um movimento revolucionário em 1849, recebia, em 05 de fevereiro de 1850, uma nova Constituição. Em 26 de outubro de 1850, fora assinada a entente aústro-russa contra a Prússia. Otto von Bismarck foi nomeado, em 15 de janeiro de 1851, representante da Prússia junto à Dieta - assembléia de representantes de todos os Estados alemães - criada em 1849. O papel de unificador da Alemanha estaria reservado a Otto von Bismarck (l815-1898), presidente do Conselho de Ministros da Prússia a partir de 23 de setembro de 1862.

Em 1850, a ordem européia parecia restabelecida graças aos tratados de 1815. Porém, em 1854, inicia-se uma fase belicosa que só terminaria em 1871. Em março de 1854 estoura a Guerra da Criméia, derivada das hostilidades russo-turcas iniciadas no ano anterior. A Grã Bretanha e a França apoiam o Império Otomano. A Guerra ocasiona uma crise interna no Czarismo, e promove a expansão européia para o Leste. Em virtude do isolamento da Áustria, e da hostilidade do II Império Francês à obra territorial do Congresso de Viena, a Europa é campo de intranqüilidade e agitações.


No Brasil, em 1850, a pressão inglesa contra o tráfico de escravos acentuara-se, tendo havido até violações do território brasileiro na caça aos traficantes, o que veio provocar a aprovação da Lei Eusébio de Queiroz, que ordenava a extinção do tráfico negreiro (mas, na prática, deu razão ao surgimento da expressão para inglês ver). As guerras do Prata prosseguiam, após a perda da Província Cisplatina. Mas a Guerra do Paraguai ainda estava por acontecer. Em 25 de março de 1854, o Rio de Janeiro recebia iluminação a gás, enquanto, em 30 de abril, Irineu Evangelista de Souza - o futuro barão de Mauá - inaugurava o trecho inicial da primeira ferrovia brasileira: os 14km de Mauá a Fragoso.

A colonização alemã no vale do rio dos Sinos havia sido iniciada, em 1824, com a chegada de 36 colonos.

Em 1830, a população alemã no Brasil ascendia a 6.856 pessoas, estabelecidas sobretudo no Rio Grande do Sul. A partir de 1850, foram-se instalando em Santa Catarina. A criação da Província do Paraná, três anos mais tarde, atrairia novos imigrantes. No período de 90 anos compreendido entre 1884 e 1973 entraram no país 201.876 alemães(*).

Em 1854, ano da chegada de Karl, Barbara, Maria e Elisa, o Brasil tinha uma população estimada em 7.677.800 habitantes (**) e S.M.I. dom Pedro II completava vinte e oito anos de idade, e catorze como Imperador do Brasil.

(*) - Almanaque Abril, 1989, pg. 137.
(**) - Séries Estatísticas Retrospectivas, vol.3, IBGE, 1986.

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29jun2007